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Canário como Animal Doméstico

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Canário como Animal Doméstico

Mensagem  Canaril UFC em Dom Jan 20, 2013 1:59 am

Nenhum animal doméstico foi criado pela própria natureza. Foi o homem que, no seu percurso histórico, retirou da natureza certas espécies de animais para as usar para os seus fins, multiplicando-as e reproduzindo-as sob a sua tutela.

Em tempos remotos, em plena Idade da Pedra, há mais de 20.000 anos, o homem primitivo começou a evoluir, passando de uma existência errante de caçador para a de camponês sedentário. Instalou-se, aprendeu a cultivar o solo e a criar gado, Em várias partes do mundo, o homem partilhava a sua casa com vacas e ovelhas, cabras e cães e outros animais. O canário é um animal doméstico de origem bastante recente.

As raças domésticas sempre se desenvolveram em regiões delimitadas, seguindo objetivos de criação impostos pela vontade do criador e que, mais tarde, foram sujeitos a especificações determinadas, Contudo, fatores como o clima e a alimentação, influenciaram igualmente a evolução, em especial a das espécies herbívoras, conhecidas por animais de pasto.

OS canários, como a maior parte das aves, não são animais de produção, na acepção comum desta palavra.

O conhecido autor de literaturas animais, Edmund Alfred Brehm, escreveu em meados do século XIX: “Na realidade, para o homem, os animais produtivos são os quadrúpedes. Contundo, os bípedes referindo-se aos pássaros são, para ele, os animais que proporcionam prazer”.

A razão está do seu lado, pois os pássaros são seres fascinantes e estimulantes que desafiam a fantasia, o espírito e o sentido artístico do homem.

Em todas as culturas e em todos os continentes, as aves pertencem, ao grupo de seres preferidos do homem: As razões para esta afirmação são a sua capacidade de voar, a sua presença irrequieta e alegre, o esplendor: das formas e das cores, bem como, o canto melodioso. Não há outro som na natureza que tanto nos sensibilize como a melodia dos pássaros.

A primavera e as vozes dos pássaros são inseparáveis.

Não é de admirar, então, que tronco da Biologia (Ciências Naturais) a Ornitologia (Ciência que estuda as aves) seja o ramo que capta mais estudiosos. Já nos séculos XVIII e XIX o canário era considerado uma criatura sublime e cheia de vida que ainda recitava uma melodia variada e agradável ao ouvido. Conquistou firmes entusiastas por todo o mundo, entre os quais, como é óbvio, alguns também se tornaram criadores. Já no século XVII o canário-rouxinol, proveniente do Tirol, era muito conhecido. Os lucros obtidos com a venda desta ave devem ter condicionado esta expressão mais do que as capacidades melódicas ornitologicamente justificáveis.

Donde provém o canario silvestre?

Como todos os animais domésticos, também o canário provém de uma espécie ancestral que vivia em liberdade, e a partir da qual evoluíram todas as raças existentes. Trata-se de um pequeno tentilhão verde que vive nas Ilhas Canárias: o canário silvestre cujo nome científico é serinus c. canária, Linné.

As Ilhas do Atlântico com a sua “eterna Primavera”, que hoje em dia se tornaram num dos alvos turísticos preferidos dos europeus, foi desde cedo atribuída a expressão “Ilhas Afortunadas”, devido ao seu clima temperado.

O canário silvestre também habita nos Açores e na Madeira. A primeira descrição exaustiva desta ave foi fornecida por K. Bolle, após uma viagem no ano de 1858, uma data bastante tardia, uma vez que estes pássaros já eram domesticados pelo homem desde a segunda metade do século XV. O viajante moderno não consegue imaginar os trabalhos e a aventura de uma viagem de investigação naquela época, em que ainda não existiam aviões, nem barcos a vapor. As viagens nas caravelas eram longas, incertas e perigosas.

O canário silvestre é parecido com os canários verdes, atuais. Apenas a forma é mais delgada, dirse-ia mesmo mais elegante. Vive como o chamariz (serinus serinus), ao qual os holandeses chamam canário europeu, e com o qual também é aparentado. Durante algum tempo pensou-se que ambos os pássaros pertenciam a uma só espécie; dividida em subespécies que existiam em certas regiões. Mas depois de conhecer melhor a história da sua origem, concluiu-se não ser possível. De fato, trata-se de duas espécies exatamente distintas, pertencentes ao gênero dos chamarizes (serinus).

O canário silvestre escolhe paisagens abertas, pomares e encostas cobertas de vegetação como sítios prediletos para viver.

Em Fevereiro, e mais freqüentemente em Março, começa a fazer o ninho. Habita também nos jardins de pequenas vilas e cidades. Trata-se de um “pássaro de árvore”, como o tentilhão. A técnica de construção de ninho do canário é semelhante à do tentilhão, só que o seu ninho é colocado na ramagem, orientado para fora, da mesma maneira que o pintassilgo o faz. O macho e a fêmea distinguem-se pela cor da plumagem (dimorfismo sexual), contudo, esta diferença é irrelevante. O macho apresenta-se, no seu todo, mais cinzento, sobressaindo o verde só em algumas partes (faixa dos olhos, ombros, rabadilha, sendo mais esbatido no peito). Os machos mais velhos apresentam um amarelo mais vivo na plumagem do que os pássaros jovens. O processo de postura e choco é idêntico ao dos carduelinae, aparentados com os pintassilgos: s fêmea choca os ovos ambos os pais participam no desenvolvimento da cria. A sua preferência alimentar incide prioritariamente sobre sementes e todo o tipo de verduras.

No que diz respeito ao comportamento, o canário silvestre é parecido com o canário-da-montanha (serinus citrinellus). São aves muito temperamentais, que apenas conseguem desenvolver bem a sua vida familiar em aviários espaçosos.

A alimentação do canário que vive em liberdade consiste em todos os tipos de sementes, principalmente sementes de subasbustos de crucíferas e de flores compostas, bem como sementes de certos tipos de couve, alface, serralhas e ainda sementes de morugem-branca, tanchagem, poliganácea,e alguns tipos de dormideira. Os canários gostam principalmente de comer as sementes de alpiste que se tornou parte integrante de todos os tipos de alpiste de mistura sob o nome de alpiste.

Para além disso, estes pássaros silvestres ingerem sementes de determinados tipos de painço e sementes de cana-de-açúcar. Por isso, também foram designados pássaros do açúcar, nome com que foram comercializados durante muito tempo após a sua entrada na Espanha. Exceto por altura da ninhada, reúnem-se em bandos múltiplos que voam para longe, como os pintassilgos no fim do Verão e no Outono. A vida em bandos traz vantagens ao pássaro individual, uma vez que é mais fácil viverem em bando.

Os canários silvestres são pássaros para criadores amadores e profissionais. Não são fáceis de cuidar e de fazer procriar como os canários domésticos. A criação de carduelinae originais tornou-se, em1980, uma parte integrante da avicultura. Os tentilhões originais são criados anualmente por entusiastas europeus.

Dos conventos espanhóis para os palácios.

Embora os romanos conhecessem já o grupo de ilhas a este de África, no Atlântico, e lhe tivessem dado o nome de Canárias, devido ao grande número de cães que lá viviam (latim: canis), a conquista foi dos espanhóis: as tomadas tiveram lugar entre 1473 e 1496 e foram seguidas pela ocupação. Pouco tempo depois dos espanhóis se instalarem nas ilhas, os marinheiros entusiasmaram-se com os pequenos pássaros verdes, que se podiam manter em gaiolas.

Rapidamente se domesticavam e cantavam uma melodia fresca e agradável. Foram estas as razões que levaram os soldados e os marinheiros a transportar os pequenos cantores emplumados para a sua terra natal, para sentirem a sua alegria, mesmo depois das horas de serviço, ou então para os oferecer às suas amadas, constituindo uma prenda ou lembrança rara e preciosa. Os “pássaros de açúcar”, como eram conhecidos, entraram na moda. Em pouco tempo, oferecer um animal destes à sua amada tornou-se um sinal de boas maneiras. Nos círculos da nobreza, simbolizava o luxo e as viagens à volta do mundo. A fidalguia batia-se pelo seu estatuto, mandando fazer gaiolas de ouro, tão valiosas quanto possível. Nessa altura, encontrava-se canários em castelos e palácios, fato este que é transmitido pelas pinturas dos retratistas e artistas da época.

Os marinheiros depressa descobriram que podiam fazer um bom negócio com estes pequenos cantores e traziam cada vez mais exemplares. Na região de Cádiz, uma pequena cidade portuária, desenvolveu-se um centro de comercialização de canários. Os mais cobiçados eram os machos pelo seu canto tão bonito.

Como a procura crescia drasticamente e o trânsito de caravelas era irregular, tentou-se encontrar uma forma mais rápida e segura de obter estas aves. Nos conventos, os monges tentavam domesticar os canários. Foram bem sucedidos e, no decorrer dos anos, os pássaros, originalmente silvestres, tornaram-se grandes companheiros do homem. É aqui que começa a história do canário como animal doméstico. Foi por trás dos muros dos conventos da Idade Média que foi decidido o destino de uma espécie de ave que viria a fazer companhia ao homem, como nenhuma outra tinha feito anteriormente.

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